06/02/2013 - por Fernanda Kanner
Eu já tinha ouvido falar da dieta Paleolítica várias vezes, mas descartei-a como mais uma entre outras trocentas que invadem a lista dos best sellers mensalmente na Amazon. Só agora, quando o novo hype americano é discutir o "Perfect Human Diet", eu fui atrás pra saber do que se tratava. Quem era esse egomaníaco presunçoso que associou a descoberta dele com perfeição em meio a tantas outras? Lá fui eu assistir o documentário e fazer-me de cobaia por duas semanas para contar para vocês do que se trata. Vamos começar por um resumão das coisas que aprendi no sofá.
Saúde não é a ausência de doença. A maioria das pessoas se enquadram nesta categoria de não ter uma doença diagnosticada, mas não dormem bem à noite, vivem com dor nas costas, comem Fandangos e bisnaguinha com Nutella, tomam anti-inflamatórios, anti-histamínicos ou analgésicos todo mês. Chama a Neosa? Dipirona é praticamente homeopatia para nossa geração. Engolimos pílulas com a frequência que nossos pais chupavam Dulcoras. Este cara sou eu, este cara é você. Ou maioria com exceção da Gabriela Pugliesi, que tem disciplina de robô e corpo de globeleza. Mas se temos cada vez mais acesso a comidas saudáveis, lanches práticos, orgânicos em supermercados não especializados, etc, etc e a pqp, porque estamos inflando mais que canela de grávida no verão? Só nos Estados Unidos 400,000 pessoas morrem decorrentes de doenças relacionadas a (má) dieta todo ano. Em número de mortos, é como se um 11 de setembro acontecesse a cada 3 dias. Chocou? Good. Uma macro pesquisa feita com tribos isoladas da África e da Indochina que vivem exatamente da mesma forma e com a mesma dieta de milhares de anos atrás, mostra pessoas que não só têm uma saúde extremamente boa, mas que têm um rosto diferente do nosso. Acostumamos-nos com rostos finos e maxilares pequenos que hoje achamos bonitos mas que resultam de uma alimentação imprópria. Nossa mandíbula e caixa craniana diminuíram progressivamente desde a introdução de grãos na nossa dieta. Como resultado nossos cérebros estão menores e temos que retirar o dente do siso cirurgicamente ou corrigir mordidas cruzadas. Isso simplesmente não acontecia quando tínhamos uma alimentação dita "correta". Rostos fininhos, do tipo que achamos bonito, cérebros menores... Não me levem a mal, tenho amigas modelos que arrasariam num téte a téte com Einstein; mas é interessante que o estereótipo generalizado talvez tenha uma pontinha de fundamento. Olá amigos vegans! Um bom 2013, podem ir embora, voltem sempre. Para o resto de nosotros: vejam bem, nosso trato gastrointestinal é completamente carnívoro. Um trato GI herbívoro tem vários estômagos porque a densidade nutricional de plantas é tão baixa que uma vaca, por exemplo, precisa pastar o tempo todo para conseguir uma nutrição adequada. Muitas espécies regurgitam a comida para mastigar mais, ou comem as próprias fezes tudo numa tentativa de reciclar a comida e extrair o máximo dela. Nós, assim como leões e hienas e a maior parte do casting Lion King, temos obviamente apenas um estômago e podemos comer uma vez por dia ou, em fato, uma vez a cada 2 ou 3 dias e ficarmos muito bem, obrigada. Eu passo 10 dias só com água uma vez por ano há 10 anos e estou aqui vivinha falando com você. Uma vaca não dura muito tempo sem pastar o dia in-tei-ro. Vitamina B12 que só é encontrada em proteína animal é essencial para humanos, sem ela morremos. Isso por si só já é argumento suficiente de que vegetarianos, so sorry, estão errados. A partir de 1860, quando foi publicado o primeiro livro médico sobre obesidade guiado ao público geral, todas as dietas recomendavam cortar carboidrato e comer carne e vegetais a livre demanda. Por um século a recomendação continuou a mesma. A partir de 1950 começaram com a idéia de que comer gordura causa cardiopatias. De uma hora para a outra gordura virou o vilão e carbos eram saudáveis. O mais surpreendente nesta revolução de pensamento foi que não existia um estudo sério sobre o fundamento por trás disso. Acreditamos em pequenas pesquisas patrocinadas por grandes corporações realizadas em 6 meses, ou 10 anos, que seja, e esquecemos de olhar a história da humanidade inteira. O resultado já sabemos. A população começou a inflar como baiacus. Gordura não o deixa gordo. Vou além, gordura e carne não aumentam o colesterol ruim se o resto da sua dieta for isenta de carbos ruins. O que move a epidemia de obesidade é o consumo ultra exacerbado de carboidratos de alto índice glicêmico. Punto. Um pouco sobre evolução humana para quem tiver saco de escutar... Há 2 milhões de anos surgiu o primeiro membro participativo do genoma humano, o Homo Erectus. Esse grupo saiu da África e seguiu para a Europa onde em grande parte do ano não havia comida vegetal. Eles viviam puramente a base de proteína animal durante a maior parte do ano. Há 230 mil anos, nossos vovozinhos evoluíram para Neandertais, os primeiros hominídeos que pareciam o filho bastardo do Lula com o Maguila. Os cérebros deles eram maiores e assim conseguiam caçar a comida e não depender apenas de carcaças, aumentando ainda mais a ingestão protéica e de ácidos graxos como o ômega 3, o que, então, fez dobrar o tamanho do cérebro e decorrente disso a sofisticação de ferramentas e técnicas de caça. Ou seja, se não fosse pelo primeiro gênio que resolveu lamber um bicho morto e falar hmmmm eu estaria numa caverna catando piolho da sua cabeça e não escrevendo isto aqui. Há 45,000 anos surgiram os primeiros humanos anatomicamente modernos. Que tinham fala aperfeiçoada, arte, instrumentos musicais e enterravam os seus mortos. Shuffle para 10 mil anos. Só agora tomamos o primeiro gole de leite e comemos o primeiro grão. Fast forward para revolução industrial, quando a coisa desandou de vez... Começamos a encher a cara de açúcar, grãos refinados e comidas processadas que constituem 70% da nossa dieta de hoje em dia... Se os nossos problemas com dieta começaram concomitantemente com a alta ingestão de carboidratos e baixa de proteína e não conseguimos entender a conexão, então é porque o nosso cérebro realmente já começou o processo esperado de involução. O que estamos geneticamente programados para fazer não é o que estamos fazendo, galeraaam. Então às regras de fato: o que devemos comer? Qualquer tipo de carne preferencialmente de animais que deveriam comer o que comeriam na natureza. Frutas, oleaginosas e verduras e óleos naturais. O que achamos que é saudável e não é: Grãos (nosso maior inimigo, de acordo com os especialistas paleos), feijões, batatas e laticínios depois dos dois anos. Não fomos feitos para tomar leite depois do desmame, e muito menos leite de outras espécies que não a nossa. Grãos consumidos na infância fazem a gente perder cm na altura final, causam um afunilamento do osso esfenóide, uma diminuição cerebral, fossas nasais mais curtas que causam problemas respiratórios, maxilares menores que não acomodam todos os nossos dentes, entre outros. Causam doenças crônicas inflamatórias e doenças autoimunes como artrite reumatóide, que não existiam antes da introdução de grãos na nossa dieta. Toda refeição deve começar com uma porção farta de proteína. Circunde isso com a quantidade de verdura que quiser. Entre as refeições uma fruta, um punhado de nozes, uma salada grande.. E para você que se acha o máximo comendo um pratão de quinoa ou um pão bem escurinho.. Grãos integrais causam problemas que os refinados não causam, então com um ou com outro, não dá para ganhar. Os integrais bloqueiam a absorção dos nutrientes, promovem osteoporose e aumentam a necessidade de tomar um bom multivitamínico. Mas e o meu parecer depois de duas semanas? Perdi 6kg total, mas tinha acabado de voltar de Trancoso onde vivi a base de caipis e cerveja (que é basicamente pão líquido), então uma boa parte disso era retenção de líquidos. Mais importante e o que me convenceu a voltar ao estilo de vida homem das cavernas é que tive muito mais energia e disposição, a pele ficou ótima, minhas alergias diminuíram drasticamente e não tinha fome, o que ajudava muito na hora de fazer boas escolhas à mesa. Saí da dieta e no dia seguinte duas malditas espinhas apareceram e voltei a acordar mal humorada e letárgica, juro. Efeito imediato! Não aboli massas, pães e chocolate para o resto da vida, (amo demais a focaccia Sofia do Serafina, para isto), mas pretendo não comer mais como parte normal da dieta. Tenho sorte de não fazer muita questão de doce, para o resto de vocês... Vêeexee, boa sorte. Então sim, recomendo e muito. Tem uma infinidade de receitas na internet para a gente não ficar entediado com as opções enxutas da lista dos alimentos permitidos. Mas como nossa insulina está sempre estável o apetite não sai do controle. O famoso "Coma para viver, não viva para comer" é moleza na Paleo. Não fico pensando em comida, tampouco como de 3 em 3 horas. Nossos ancestrais não tinham relógio nem garçom servindo búfalo 5 vezes ao dia. Assim, como não contamos quantas vezes por dia respiramos, não temos que contar calorias ou número de horas desde a última refeição. Coma quando tiver fome, simples assim. Ninguém inventou essa dieta, só tiraram o pano do que sempre esteve lá, do que sempre fomos e do que nos permitiu chegar até este ponto. Isso é baseado na nossa genética e na seleção natural. Se essa é uma dieta da moda, então a moda já dura 2 milhões de anos.
estranho que nossos antepassados tinha uma expectativa de vida bem menor que a nossa hoje em dia né…….
Interessante sua coluna, mas acho que é preciso ter cuidado para afirmar certas coisas, pois pelo que sei vc ainda não é medica ou nutricionista. De qq forma como uma boa consumidora de tudo qto é dieta com ou sem recomendação medica vou comprar o tal livro.
Obrigada
Renata, claro que tinham uma expectativa de vida muito menor. A gente também teria dormindo a céu aberto com leões como vizinhos, sem médicos, sem tecnologia, sem saneamento básico. Mas nossos ancestrais morriam por causa do ambiente em que viviam, e não por doenças, sabotados pelo próprio corpo.
Isabel, as afirmações não são minhas e sim de centenas de pesquisas e estudos sérios. Li um novo livro sobre o assunto chamado Fat Chance. Se encontrar, vale a pena. Depois me conta. bjs
Vc é muito massa! Escreve de uma forma divertida, um texto tão informativo. Parabéns!
O seu texto está perfeito, eu sou grande apreciadora desta dieta, porém tenho uma dificuldade enorme em conseguir segui-la por conta do “meio em que vivo”… rsrsrs grande abraço
texto extremamente simplista. Grãos não são simplesmente grãos e, assim como a carne há que se ter um preparo. Deixar de molho no meio ácido, fermentação quebra os citados fitatos que roubam nutrientes. Ou será que você come carne crua?
Camila o texto é extremamente simplista porque a mensagem por trás dele também é. Se quiser fermentar, acidar, quebrar fitatos.. também e bom parar de respirar em São Paulo, não aquecer em microondas, não comer nem beber em nada de plástico, não passar cremes não industrializados, não pintar o cabelo, não passar desodorantes antiperspirantes.. Rs eu não sigo à risca dieta nenhuma e nem quero. Estou pontuando fatos, simplistas, mas que podem ser seguidos por quem não liga e não sabe o que são fitatos. O texto é baseado no documentário do título, não na minha opinião. De qualquer forma, melhor do que comer McDonald’s, não? 🙂