We Pick Conversa, com Cá Célico

20/04/2022 - por Juliana Lopes

Mãe, influencer e empresária da moda, Caroline, a Cá Célico, é gente que faz. Com apenas 34 anos ela já morou 10 anos na Europa, abriu empresas e criou uma fundação que mudou a vida de mais de 50 mil crianças. Tem dois filhos, faz terapia e abraça tudo o que tem em torno com muito carinho. Conversar com a Cá é uma delícia, não dá vontade de parar. Ela tem humor, empatia, ideias divertidas e é um doce de menina-mulher. O rosto delicado e a voz serena escondem um furacão de realizações e vontade de aprender. Em plena pandemia teve a ideia de abrir a NINI, marca de moda que traz a essência de seu gosto elegante, moderno, leve e com foco na juventude. Além da equipe criativa e do marido, Eduardo, que a apóia, ela ainda conta com os filhos Lucca, 14, e Bella, 11, que estão sempre zanzando por seu escritório.

Nesta WP CONVERSA ela fala com exclusividade de  fases de sua vida, da temporada em Milão aos dias de hoje.

 

Percebemos que seu gosto tem sido transmitido nas criações da sua marca. Foi um sonho que você já tinha?

Bom, eu fiz Fashion Business, né? Mas na verdade a história começa antes, quando eu estava na barriga da minha mãe e ela já trabalhava para a Dior. Até meus 30 anos eu acompanhei muito a minha mãe . Teve a fase em que eu era menor e ela fazia home office para ficar mais comigo, e eu lembro do escritório dela em casa. Teve a fase em que eu podia viajar com ela para Paris e Nova York algumas vezes por ano. Era muito legal porque, além de eu ficar nesse momento grude com minha mãe, de dormir na mesma cama e ficar junto, eu participava dos show rooms, das reuniões. Ela organizava desfiles em Nova York, e eram muito concorridos, com modelos famosas como a Gisele Bündchen. Mas na minha adolescência eu fui rebelde como muitos, e acabei não querendo fazer o que ela fazia, queria um caminho diferente do dela. Até que a vida me levou para Milão aos 18 anos, quando me casei e fui morar lá. 

Estando em Milão, capital italiana da moda, o caminho acabou mudando?

Eu não queria fazer moda, queria fazer hotelaria. Mas em Milão o que tinha de bom? Tinha a moda. E a faculdade, o Instituto Marangoni, era do lado da minha casa. Por isso decidi fazer Fashion Business. Não me interessava fazer aula de estilo, de tecido. Queria a parte de administração, financeiro, comercial. Toda a parte que vem atrás. Sendo casada, e com filhos pequenos, aproveitei o máximo que dava para fazer. Voltei ao Brasil em 2014 e me separei em 2015. Precisei de um ano para entender o que estava acontecendo comigo. 

Como foi esse retorno ao Brasil depois de morar muitos anos fora?

Na volta tive que me restabelecer, retomar minha conexão espiritual, minha ligação com Deus, com meus filhos, minha família, meus amigos. Tudo parecia que tinha desaparecido nos 10 anos em que morei fora. Foi uma pressão da maternidade somada ao fato de eu ser uma menina muito nova, que tinha muito ainda para amadurecer. Eu tive o Lucca com 21 e a Bella com 24. Pensando na Caroline daquela época eu pergunto pra minha mãe:  ‘nossa, como é que você me deixou fazer isso?’ . E ela responde “não teve jeito! Quando você coloca uma coisa na cabeça é difícil tirar!”.

Cá Célico, sua mãe, Rosângela Lyra, que foi embaixadora da Dior, e a filha, Isabella

Ficar grávida e ter os filhos longe da família, em outro país, é um desafio bem grande. 

Foi muito complicado. As pessoas acham o máximo morar em Milão, morar na Itália, porque tem isso, tem aquilo, tem desfile, e eu digo que não é nada disso. Só quem passa sabe. 

Verdade. As coisas chatas acontecem igual (risos).

Eu lembro que não tinha garagem, e aí parava o carro em outro quarteirão, saía com as compras na mão. (risos)

No prédio em que morei lá o elevador era tão pequeno que o carrinho não entrava. Aí eu tinha que sair com a filha no colo e o marido descia com o carrinho pela escada (risos)

Eu deixava o carrinho embaixo porque não subia no elevador, olha que legal (risos). Meu prédio tinha sido bombardeado na primeira guerra mundial, pensa?  O meu prédio era de 1400.

E como foi se organizar aqui novamente?

Passei um ano organizando a minha casa, organizando as minhas finanças, organizando tudo na minha vida, sabe? Como ia ser essa nova dinâmica. Aí eu decidi enfrentar essa vida de influencer de uma forma muito mais profissional. 

Como você decidiu investir na carreira de influencer?

As pessoas me perguntavam “por que você não tem um blog?” E eu pensava: “por que será que as pessoas querem que eu tenha blog? “(risos) Eu não entendia. Acabei fazendo por demanda das pessoas, e não porque eu queria fazer. Pensava “como é que vou falar pros meus pais que eu ganho uma vida postando foto no Instagram”? Em 2016 conheci meu marido, o Eduardo, e ele me apoiou muito, olhava com muita dignidade essa profissão. A visão dele deu um clique para mim e pensei, bom, esse dinheiro é digno, esse dinheiro eu posso receber, e comecei a encarar essa carreira. Ao mesmo tempo sempre tive outros negócios juntos. Tive empresa de casamentos e eventos corporativos com a Chris Ayrosa. Quase abri uma franquia de uma marca de fora do Brasil. Fiz muita coisa, quem vê fotinho do Instagram não sabe o que está acontecendo na vida de Caroline! (risos). 

Cá Célico em evento da Fundação Amor Horizontal, que fundou em 2014

Entre tantas coisas você também construiu a Fundação Amor Horizontal. Uma baita realização. 

A fundação comecei a pesquisar em 2010, e passou a funcionar em 2014. Temos um time de 10 pessoas e apoiamos 50 mil crianças, que são beneficiadas na saúde e na educação. A gente não dá dinheiro. Eu pego a doação e duplico ou triplico em produto porque consigo descontos com fornecedores. Se você doa 10 reais, eu transformo seus 10 reais em 25. O que você compraria com esse dinheiro eu compro três vezes. Fralda, alimento, itens de saúde bucal, higiene pessoal etc., roupa. Só doamos coisas novas. Essas crianças nunca recebiam nada novo, estavam acostumadas a ganhar o que ia pro lixo. Quando elas começam a receber produtos novos, mochila, caderno, lápis, algo muda na cabeça dessas crianças, totalmente. Muda a auto-estima, muda a maneira com que ela pensa sobre a vida, sobre ela própria. No começo a Fundação era muito ligada com minha imagem, hoje anda sozinha. Sou presidente e faço parte do conselho. Tenho muito orgulho e gratidão de ter criado isso e ver que foi além do que eu imaginava. 

No meio da pandemia você teve a ideia de abrir a NINI. Como tudo aconteceu?

Em abril de 2020 eu comecei a ver dificuldade de comprar roupas pro Lucca, que vai fazer 14, e pra Bella, que vai fazer 11. Faltavam marcas que olhassem para esse tamanhos. Faltavam peças básicas e peças que os representassem. Não fazia sentido comprar peças de adultos e ajustar. Um dia eu contei para uma das minhas melhores amigas minha ideia e ela adorou. Indicou uma diretora criativa que estava querendo um projeto diferente, e também se apaixonou. Pra mim foi um marco, de que alguém desse mundo da moda apostasse no projeto.

E como você hoje define a NIINI?

A NIINI é uma marca jovial, fala com o público de uns 20, 25, que não se encaixa em rótulos, em marcas. Eles têm muita dificuldade para encontrar roupas que os represente. As crianças querem usar o que esse público está usando. E todas nós para não envelhecermos também queremos seguir esse público. Dividimos em duas linhas, a linha Basic, que é perene, que sempre vai ter peças essenciais como o top, os moletons com zíper, sem zíper, capuz. Toda essa linha é a genderless, você só muda o tamanho e a modelagem fica boa na mulher e no homem.  E temos a linha Collection, que tem estampas que vão chegar e que vão acabar. Coisas da mosa que as pessoas estão procurando.

Você usou NIINI no casamento da Luciana Tranchesi.

Sim! Lembrei na semana do casamento da Lu que não tinha roupa. Eu não podia usar outra coisa se tinha acabado de lançar uma marca! Fui de NIINI, uma blusa e calça pantalona, peças únicas e sob medida. Que muita gente já está pedindo. 

Cá Célico em escritório da NIINI, a marca de moda recém lançada pela empresária

Olhando o que vocês já fizeram, como se sente?

Estamos trabalhando há 1 ano. Temos um time de quase 20 pessoas, contando Estilo e Marketing. A gente não tem fábrica, temos 280 fornecedores de tecidos. O tecido é muito bom, as pessoas precisam encostar para entender. Teve muita batalha, muito erro, muito problema, com atraso, com matéria prima. As pessoas nem imaginam os bastidores, olham uma continha bonita no Instagram e nem imaginam o que está acontecendo por trás. Me perguntam se eu estou participando de reuniões e, puxa, na verdade não tem nenhuma reunião que eu não acompanhe. Mas não conhecemos ainda nosso público, é bem novo e isso está sendo o gostoso. O feedback da equipe é tão bom. Elas me dizem “Carol, não vejo a hora de voltar amanhã!”.

E a família, como está encarando essa nova fase?

Meus filhos e marido tem entendido esse momento. Mas se saio de um compromisso 21h da noite eles perguntam “cadê mamãe”, né? Estou tentando ajustar. Tem toda a dinâmica na vida das mulheres. Eu acho que a gente tem que aprender a criar essa nova fórmula, todo mundo fazendo junto.  A minha avó e minha mãe, que são duas mulheres muito críticas, me apoiaram. Meu marido é uma pessoa que me apoia muito. Não fica reclamando e vendo problema em tudo. E isso faz muita diferença. As crianças entram no meu escritório. Isabella vê as roupas, desenha, dá palpite. Lucca pediu que a minha cadeira ficasse de frente pra porta. Ele tinha razão. 

O que acha que seus filhos aprendem te vendo trabalhar com tanto carinho?

Não sei se eles no futuro trabalharão com minha empresa. Mas eu quero que eles vejam como é bom trabalhar, como é bom gostar do que fazemos. Ao mesmo temo que eu amo meus filhos e quero ficar com eles, eu tenho direito de amar trabalhar. 

Cá Célico e os filhos Isabella, 11 e Lucca, 14

1 comentários

  1. Ana paula disse:

    Ela é uma mulher inspiradora! Elegante, gentil e muito bonita.

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