FUNCIONAL: FUNCIONA?

Deborah Klabin

Deborah Klabin

Fitness
21/09/2012 - por Deborah Klabin

 

Como tudo nessa vida, ginástica também tem seus ciclos, seus picos de o que é, in, out, cool e, como não poderia faltar, cafona. Ou vai me dizer que hidrospinning (?!), ab-shaper e lambaeróbica têm angariado público? Valei-me Deus! Há bens que vêm para o bem, como a extinção da dança da manivela e sua turma de produtos do Poli Shop. Mas vamos falar de coisa boa? (Calma. Não vamos falar da iogurteira Top Therm. Ainda.) Nessa terça-feira comecei um treino que pelo visto me fisgou logo de cara, coisa rara devido ao meu vício pela corrida, que me torna rabugenta com qualquer outra modalidade. A responsável é a tal da ginástica funcional. Mas se nenhum dos modismos me ganhou antes, não posso dizer o mesmo sobre essa ginástica, que comecei a ler a respeito e gostar cada vez mais da proposta. Principalmente porque não se trata de um modismo propriamente dito, mas de uma metodologia muito simples e consciente de se exercitar, sob as orientações do treinador Pedro Brandão. Pedro é personal da Reebok, super gente boa, manja pacas do assunto, carrega o tal peso russo, o Kettlebell, para os seus treinos e foi o único com falta de juízo o suficiente para se voluntariar a me treinar duas vezes por semana, às 5:30 da manhã, horário que casavam as agendas, logo antes ao nosso amigo, o vizinho Silvestre. Nosso objetivo? Até dezembro diminuir o percentual de gordura, aumentar minha performance na corrida atingindo uma média de 12 km/hora em uma distância de 20km e perder uns 2 ou 3 quilos. Então aqui manterei um "diário" com relatos semanais sobre como estão se desdobrando os treinos. Então, mão à obra! 3a feira, 18 de setembro Depois de 20 minutos de corrida começamos o treino e o carrasco falou: "O fundamento básico da ginástica funcional é que o desequilíbrio sempre precisa ser compensado, revertido. E nessa busca por estabilidade, o corpo desenvolve força." Engraçado. A regra se aplica bem à vida, não é? Profundo isso... Equilíbrio é atingido sim com muita força. Física ou de vontade. E sempre me sinto mais equilibrada na minha alimentação quando estou com uma rotina firme de exercício. Acredito que existe sim uma relação direta entre as duas. Mas não é hora de divagar sobre a busca de equilíbrio na vida, e sim aqui, no treino. Os exercícios do 1o dia consistiam basicamente em agachamentos, abdominais e exercícios com o Kettlebell, além de algumas séries em aparelhos tradicionais de musculação. O que mais gostei da brincadeira: a ginástica é super portátil porque o principal aparelho dele é o peso do próprio corpo. Uma vez que você entende a dinâmica dos movimentos, qualquer lugar é lugar para fazer sua série. Os exercícios mantêm a freqüência cardíaca alta mesmo sem ser mesclado com exercícios aeróbicos. O desafio central: basicamente fazer movimentos simples e precisos sem cair, o que causa conseqüentemente um bom autoconhecimento do corpo. Mais um ponto então para a funcional, que vai melhorar meu equilíbrio e coordenação motora. Oba! Chega de roxos nas pernas :) O corpo se fortalece e a partir do 1o treino, e gostei de mais uma coisa: nada de hipertrofia, tudo de alongamento. Nada de impacto, tudo de fluidez. Nada de calmaria. Tudo de batimento cardíaco alto e a merecida sensação de cansaço. Postura no lugar, concentração, movimentos calculados e qualquer coisa que me remete a uma aula de alongamento somada à pilates, com musculação no meio. Muito bacana. Mas, a pergunta que não poderia faltar: "Pedro... isso emagrece?" -Sem dúvida que emagrece! Podemos emagrecer queimando gordura diretamente, usando a mesma como fonte de energia na hora, ou gastando mais calorias do que se ingere ao longo do dia. Esse treinamento pode proporcionar os dois, depende da estratégia do treinador.  5a feira, dia 20 de setembro Depois do treino de 3a, que na hora pareceu moleza, o dia seguinte me presenteou com muita dor muscular. E nesse cenário que se deu o treino de hoje: me arrastando, sofrendo, com uma série parecida com a de 3a, porém com menos agachamentos, devido a minha completa impossibilidade de fazê-los . Que coisa horrível! Já havia me esquecido do que se tratava essa história de dor pós treino. Mas como pode, uma pessoa que não estava parada, que treinava com até certa freqüência, ficar assim, nesse estado deplorável em que me encontro? Pedro explica o seguinte: É muito importante em um treino garantir o equilíbrio entre estímulo e descanso. Quando treinamos mais do que deveríamos, o corpo não consegue se recuperar e, ao invés de melhorar, piora, causando a perda de massa muscular, lesões ou diminuição de performance. Exercício é catabólico: piora a condição do corpo, seja quantidade de glicogênio muscular, seja rompimento de fibra muscular, desidratação, etc. Quando descansamos nas 24, 48 ou 72 horas que seguem, ocorre o tal "anabolismo". Nesse período o corpo pensa: Vou me preparar pra correr 1,2 km porque essa maluca correu 1 km, então vou esperar uma coisa pior na próxima. Por isso melhoramos. Quando as sessões são mais próximas do que deveriam, o corpo não recupera, não há resultado positivo e é como se não adiantasse nada fazer exercício. Descanso  e nutrição são tão importantes quanto fazer ginástica. Dor não é sinônimo de treino bom, ao contrário, dor é sinal de que exageramos. Portanto, se quiser correr, corra. Mas um treino leve, bom para ajudar o corpo a se livrar da concentração de ácido lático. Obrigada, Pedro!! Agora tenho o aval para começar o final de semana mais cedo. Beijos!

3 comentários

  1. claudia cruz disse:

    Olá, Deborah! Muito bacana seu post, vou adorar acompanhar o seu diário.
    Descobri um canal no youtube uma menina que posta semanalmente treinos desta categoria, estou amando.
    https://www.youtube.com/zuzkalight

    Abraços e até seu próximo post…

  2. Deborah Klabin disse:

    Claudia! Que bom que gostou! Estou empolgada com o que me espera pela frente 🙂 Vou acompanhar o link que voce sugeriu! Super obrigada!
    beijo!
    deborah

  3. claudia cruz disse:

    E nos conte tudo novo e bom que for acontencendo.
    bjus

    claudia

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