Oi, tudo bem?

Andressa Steil

Andressa Steil

Você, Relacionamento, etc & tal
21/06/2017 - por Andressa Steil

Tantas são as formas que imaginei o início dessa carta… E de todos eles, preferi começar com humildade e simplicidade, com um curto, mas não grosso “Oi, tudo bem?”.

Pensei durante dias, que tornaram-se semanas, e depois meses, sobre como seria ter sua imagem e corpo de frente com o meu, assim, de carne e osso e ao vivo e a cores, depois daquela noite em que dissemos não um “até logo” mas um seco e com resquício de definitivo “adeus”. E apesar dos pensamentos me assombrarem e minha imaginação romântica contrastar com um momento menos trágico e mais doce, ainda assim não consigo decidir qual seria o cenário se te encontrasse um dia por aí.

Queria que soubesse que espero que esteja bem, de verdade. Do fundo do meu coração. Apesar dos pesares, espero que acredite nessa afirmação, afinal de contas, se eu te queria por perto, não há como desejar-lhe menos do que o bem. E também porque acredito em karma, energia, luz, você sabe. Não sabe? Deveria saber…

Sobre você e seu bem estar, este é o máximo que me limito a comentar. Até porque depois desse tempos loucos em que passamos juntos, muito do que vivemos rodou em volta de você. Mesmo que você não tenha feito de propósito, eu o fiz. Eu deixei que minhas escolhas fossem baseadas nas suas. Permiti que meus planos moldassem-se aos seus independente da estripulia que eu teria que fazer para garantir que desse tudo certo de uma forma “espontânea”. E te digo que algumas não me criaram problemas. Mas outras me comprometeram em vários níveis.

Entenda essa carta como um desabafo e talvez eu devesse ter começado assim! Mas você sabe que comigo nem tudo está em ordem, que a rotina me entristece, que meu jeito expansivo e comunicativo faz bagunça e que organização não é lá minha maior qualidade…

E já que qualidade veia a tona, preciso comentar no quanto eu me dava por feliz, excitada, esperançosa e… tola. Tudo ao mesmo tempo e enquanto eu enxergava o correr das horas bem aproveitados só de ter ao meu lado. Mas acontece que hoje eu vejo que a quantidade de vezes em que nos relacionamos, apesar de significativo, não teve a qualidade devida. A qualidade que eu merecia. E você também.

Preciso te questionar… – Afinal de contas até parece que eu conseguiria me limitar ao “Oi, tudo bem?” tratando-se de você… – E meu questionamento é simples. Tem 2 palavras e 1 pontuação: “por que?”.

Entenda e interpreta essa pergunta como melhor achar. Mas já que muitas vezes você não conseguiu me compreender, dessa vez acho que preciso ser direta, sem rodeios. Então aí vai: por que você, mesmo sem a qualidade que procurava e queria, ainda assim me manteve por perto? Por que você permitiu que lentamente houvesse envolvimento sem motivo para embarcar comigo nessa viagem? Por que você me fez pensar que era especial… Se no final descobri, enxerguei e constatei que o especial estava apenas no meu ver e sentir quanto à você e não era recíproco? Caso você não saiba as respostas, te perdoo pela ignorância. Já perdoei tanta falta de consideração sua mesmo… O que seria mais uma para coleção? Mas quero que entenda a extensão do mal causado. Ou do mal entendido. Ou dos dois em conjunto complementando-se!

Não posso alegar que tudo foi a minha imaginação pisciana. Que tudo era apenas carnal. Que sua boca na minha fazia mesmo o tempo andar mais devagar. Que o calor do seu corpo me excitava, que sua respiração junto à minha tinha sintonia. Que seu toque me fazia contorcer-se de forma deliciosa. Que sua presença me deixava… em constante alegria que nem eu mesma conseguia ver, mas que era notória para amigos que acompanhavam esse meu humor instável no qual você deveria ser julgado “culpado”.

E mesmo assim queria te dizer, que apesar de todos os sentidos, tanto emocionais quanto físicos, apesar de serem hoje apenas memórias, ainda me fazem certa companhia, e deve ser por isso que não consigo imaginar te encontrar.

Mas se eu pudesse escolher… Estaria alegre. Sóbria. Em um ambiente aconchegante, mas animado. Entre pessoas queridas ou bom conhecidos ou com um público agradável, com um estilo despojado e confiante, sem muitos apetrechos, sem máscara, vestida de leveza. E em meio a risadas, olharia sem pretensão por entre a multidão e te enxergaria de longe. Como um imã seria atraída até você deixando que aqueles que riam comigo fizessem companhia uns para os outros enquanto eu me afastava e ia ao seu encontro.E você vinha na minha direção. Meio sem jeito, talvez por educação, mas de alguma forma que não me ameaçava ou que parecia ser obrigado. Algo em você queria estar dando aqueles passos. Conseguia enxergar pelos seus olhos meio tímidos, que me fitavam.Alguns passos depois e estamos de frente um pro outro. Sorrimos. Ficamos desconcertados. Mexo no cabelo, e te pergunto de um jeito sério e envolvente… “Oi, tudo bem?”. Você me responde que sim e pergunta de mim. Eu digo “que ótimo, também”. E então questiono sobre seus projetos, tentando me atualizar com certa empolgação, mas sem ser muito intrusiva sobre sua rotina… E assim começamos a conversar e é inegável a química, pois quando menos percebemos, o “Oi, tudo bem?” virou uma conversa com pitadas de risos soltos, certa sedução e novidades. De ambos os lados. E então os amigos de cada um começam a requerer nossas presenças, cada qual com o seu grupo, e antes de encerrarmos aquele papo… Não me aguento, o olho nos olhos e pergunto com cara de dúvida, cerrando levemente os meus olhos para dar mais seriedade a minha incredulidade enquanto encosto no braço dele pedindo que voltasse sua atenção a mim antes de voltar pros seus amigos: “Por que?”.

E o que se sucede é revestido de surpresa… Nem ao menos eu posso recriar essa continuação… E ainda que muito do que foi desejado possa acontecer, devo lembrar que o destino é incerto e que a imaginação é fértil, acho que o mais certo seria conter-me. Não mais me abrir, me expor, ficar ao seu dispor…

E com isso, começo a achar que a melhor maneira de começar esta carta, que na verdade não muito quis dizer, mas que serviu de consolo pra minha expectativa de um futuro encontro incerto, é mesmo como o fiz… Afinal, “Oi, tudo bem?” que mal tem?

2 comentários

  1. Stéphanie disse:

    Uma carta linda e tocante! Expressa aquele sentimento que muitos de nós não conseguimos expressar em palavras! Parabéns Dê, sua linda!!!

  2. Angela disse:

    Maravilhoso ver o amor por esse ângulo, algo que todos nos já sentimos alguma vez, parabéns Andressa, incrível!

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