Meu ex, seu ex, nosso ex

Andressa Steil

Andressa Steil

Você, Relacionamento, etc & tal
04/08/2017 - por Andressa Steil

Como é estranho passar parte de sua vida com alguém, não mais ter esse alguém com você por “n” motivos, sejam estes favoráveis ou não a suas vontades e depois de um tempo ainda presenciar o quão (aparentemente) realizado esse, uma vez, seu alguém está com outra pessoa, esbanjando felicidade? Parece até um tapa na cara. Um beliscão no braço. Um peteleco na orelha. Incomoda…

Normalmente felicidade alheia é sim motivo de incomodo. Certo incomodo, moderado incomodo ou muito incomodo. Isso varia de pessoa para pessoa. O que é certo porém é a existência de um zumbido de pernilongo enquanto você tenta dormir ou aquela brincadeira mais velha que seu tataravô que a pessoa fica te cutucando sem parar achando graça enquanto você só sabe fazer aquela cara do Garfield de quem acabou de acordar e obviamente gostaria de estar dormindo mais. Em outras palavras, existe incomodo.

E por isso… Incomoda. E buscá-la pode ser uma jornada interessante, irreverente, de tombos, tombos e mais tombos, mas também com recompensas. O importante é tentar, já dizia o velho e manjada ditado. E de tão velho, passou por gerações sendo colocado a prova e eis que é verdadeiro, real, factível. Tentando você consegue feitos inimagináveis. Não tentando você acumula arrependimentos. Ah, que clichê! Mais um ditado popular ou provérbio chinês (normalmente tendem a ser a mesma coisa – não entendo a influência da China. Sabedoria milenar, quem sabe?) que diz “melhor se arrepender de ter errado do que se arrepender de nunca ter feito”.

Então você, homem ou mulher, pré-adolescente na puberdade, aborrecente, projeto de adulto, trintona solteira, quarentão casado com 2 filhos, senhora da época de ouro do Roberto Carlos e seu calhambeque bibi, senhor que participou das revoltas populares na ditadura em nosso país, ao notarem uma felicidade além do esperado naquele ex safado ou naquela ex que terminou com você porque o problema era com ela e não com você, enquanto estes desfrutam ou desfrutaram suas vidas longe de vocês, lembre-se: se ex fosse bom, não seria ex.

Você teve a audácia de arriscar e apostar sus fichas em alguém. Nem sempre o mar está para peixe e na maioria das vezes é vitória é da casa. Ou por algum acaso você acha mesmo que ligar pra esses anúncios colados nos postes de luz sobre “trazer pessoa amada em 5 dias” funciona? Da mesma forma que a menina cheia de espinhas no rosto e com pouco seio se tornou aquele furacão de tirar suspiros, o mundo continuou girando e os grãos de areia na ampulheta do nosso tempo continuaram a cair… Pois é, o tempo passa!

E ainda bem que passa! Aquele alguém que uma vez já dividiu uma história com você vive um relacionamento, mas em outra fase com um outro alguém. E isso graças a você! Seu tempo dedicado a esse alguém contribuiu de alguma forma para que hoje ele encontrasse outra pessoa. Com vivências e experiências únicas que só poderiam ter acontecido na sua ilustre presença. De forma que com a nova metade, mais momentos inéditos acontecerão. E é nesse tempo que você repara na felicidade dessa pessoa que um dia esteve com você inevitavelmente se questiona: “e se a gente tivesse dado certo? Será que estaríamos viajando pra outro continente e rindo alegremente como em um trailer de um filme água com açúcar?”

Será? Se será eu não sei e você muito menos. O que tem que ser levado em conta é que se a menina cresceu, o mundo rodopiou e a ampulheta não parou de funcionar, pra você, caminhos, pessoas, gostos, cheiros, estações do ano, viagens, oportunidade de trabalho, risadas, nascer/pôr-do-sol e muito mais também aconteceram e te fez chegar onde está hoje. Se está solteiro ou se está desesperadamente solteira (pra mulher o grau da solterisse é sempre mais elevado [e ao cubo]), leia de novo esse parágrafo. O tempo continua a passar… Algumas pessoas tem medo… Eu me encontro nesse grupo de medrosos… Mas reconheço que o tempo foi até então meu único confidente, meu amor verdadeiro, meu parceiro. Ajudou-me a refazer-me em momentos difíceis, tem me mostrado que dias melhores virão (e eles vem mesmo!) e ainda me dá liberdade de aproveitar aqueles momentos de comercial de margarina com um sorriso largo no rosto, sejam estes momentos acompanhadas ou somente com meus pensamentos. Então nada está perdido. Tempo ao tempo. (Terceiro provérbio do texto. Mas quem está contando?).

Se o tempo passa, quer dizer, sim, ele passa, aprenda a se ver como um vinho e do mais refinado. Quanto mais “cheio de experiência” – o termo envelhecido neste caso seria degradante – mais valioso, mais saboroso, mais requisitado.

Um beijo pro seu ex que está com aquela perua horrorosa e um “tudibom” pra aquela safada da sua ex que já está no quinto grande e único amor da vida dela. Mas quem se importa? Somos a safra mais refinada! E pra finalizar dentro da moda do nosso tempo atual (e nesse caso cybernético) #recalquepassoulonge.

XOXO

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