BIOPERVERSO & GENIAL

Bioperversidade
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Malysse
03/05/2012 - por Flavia Brunetti

Stéphane Maslysse é antropólogo, artista, consultor da L'Oréal, desenha estampas para a marca Issa. Multifacetado e deliciosamente inteligente, ele abriu as portas de seu apartamento super estiloso em São Paulo para receber o We Pick. Veja a entrevista que fizemos com ele e dá uma olhada na nossa galeria de fotos para conhecer seu trabalho.

We love it!

Como você concilia seu trabalho de antropólogo com seu lado artístico? Olha, cheguei no Brasil em 1996 para pesquisar os comportamentos da malhação, no Rio de Janeiro, e desde então, nunca mais parei de observar e analisar os comportamentos. Minha entrada no mundo das artes começou como o que chamamos de pesquisa de campo: um dia, me deu vontade de deixar as teses de lado e de me concentrar com conceitos de antropologia para alimentar as minhas obras de arte. Para mim, tudo começa com uma idéia, que em geral se manifesta através de uma palavra nova, um neologismo como Afro-white ou bioperversidade. Depois vem a fase de experimentação ou como dizia Marcel Duchamp, um trabalho de incorporação do conceito num objeto.

Você é professor de Antropologia& Arte na USP, como isso influencia seu trabalho com arte? Na verdade, influencia muito. Ao perceber a dificuldade de muitos alunos de entrar com empatia na Arte Contemporanêa, percebo que, muitas vezes, é a recepção da obra, dos seus sentidos, que é problemática para eles. De uma certa forma, nos meus trabalhos, sempre me preocupo muito sobre a forma de induzir uma idéia. Ao desmontar as obras conceituais como se fosse armadilhas, para explicá-las aos alunos, você aprende também a criar obras mais maliciosas.

E a sua história com a L'Oréal? Isso começou há 10 anos quando fiz uma palestra para eles em Paris sobre a relação entre a beleza feminina brasileira e a heroína do seriado Twin Peaks, Laura Palmer. Foi um verdadeiro escândalo para eles e achei que nunca mais iriam trabalhar comigo. Na verdade, foi exatamente o contrário, nunca parei de trabalhar para eles como pesquisador de beleza brasileira e estou atualmente realizando uma grande pesquisa sobre o alisamento, a procura do loiro, essas coisas que você pode observar por aqui.

Fale mais das suas obras antropológicas, Michael Jackson, etc.  A primeira grande serie que fiz, foi depois da morte do Michael Jackson. Pensei na sua nova cor e me perguntei o que seria da arte africana tradicional depois da morte dele. Ai criei os AFRO-WHITE, que são esculturas africanas numa versão branca e pop. Depois, ao mergulhar nos dados do IBGE para as pesquisas sobre as cores de pele ou raças no Brasil, resolvi trabalhar com as cores do IBGE, branco, negro, parda, amarelo e claro, os índios brasileiros!

E esse seu trabalho chamado BIOPERVERSIDADE? Quando você começou a atacar o seu próprio jardim?  Coitadas das plantas. Estava pesquisando sobre o artistas brasileiros e a relação com o mundo vegetal, e como achei bem poucos, percebi que havia algo interessante em jogo em usar plantas vivas para realizar obras de arte. Estava lendo muito o surrealista Bataille e o psicanalista Lacan na época e o conceito chave da Bioperversidade surgiu. E nunca mais consegui olhar uma planta sem pensar em algo do tipo Dexter. hehehehe. Mais a Bioperversidade é uma provocação, amo as plantas. É um gesto eco-trash, um grito bem francês de preservação da biodiversidade!

 

Em breve, Malysse deve realizar uma performance com um grupo de cabeleireiros e várias samambaias brasileiras no ETERNAL TOUR, uma exposição que deve passar por São Paulo.

Em agosto e setembro embarca para Londres para desenvolver estampas para mais uma coleção da Issa, estilista brasileira radicada na cidade. Ele já criou três vezes para a marca.

 

Mais sobre Malysse

Doutor em Antropologia Social pela Ecole des Hautes tudes en Sciences Sociales (EHESS /Paris). Atualmente  professor de Arte & Antropologia, na USP e consultor de pesquisa para L'Oral Paris. 

Em São Paulo, Malysse já realizou várias exposições, como POLITICAGEM (2002),  premiada no Festival da Cultura Inglesa, AFRO-WHITE, na Patrimônio Antiguidades (Jardins), NEONLOGISMOS no Hotel MAKSUD e trabalha atualmente com sua BIOPERVERSIDADE (Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=PevRXRm33WQ&feature=related) que foi apresentada no Festival FILE de SP e do RIO e na CASA COR RIO 2011.

A BIOPERVERSIDADE é uma série de esculturas vegetais nas quais o artista realiza gestos bio-desagradáveis sobre plantas vivas. Entre o herbário e a escultura minimalista, entre Arte Povera e Arte Eco-TRASH, esta série provoca no público um surto ecológico para mostrar que as plantas sofrem. Através de videos THE BIOPERVERSITY PROJECT  (YOUTUBE) e de telas híbridas GRAND HERBIER BIOPERVERS (escultura/fotografia/pintura) ele transforma seu atelier-jardim em um laboratório de bioperversidades.

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